A obra mais famosa de Leonardo da Vinci é Mona Lisa, também chamada La Gioconda, que se encontra hoje no Museu do Louvre, em Paris. Alguns dizem que a pintura é um retrato da esposa de Francesco del Giocondo, um homem rico de Florença. A Mona Lisa ficou famosa por seu misterioso sorriso. No texto que vocês vão ler, o escritor Affonso Romano de Sant’Anna comenta esse assunto.Objetivo da Atividade: Analisar Textos Literários
1. De acordo com o autor, por que os visitantes da Sala Da Vinci ignoram outros quadros e só se interessam pela Mona Lisa?
2. O que o autor quis dizer com: “O ser humano é fascinante. E banal. Vêm para ver. Não vêem nem o que vêem, nem o que deviam ver.”?
3. Segundo o autor, de que ri a Mona Lisa?
De que ri a Mona Lisa
Estou na Sala Da Vinci, no Louvre. (...) Do lado esquerdo da Mona Lisa, dezesseis quadros de renascentistas de primeiro time. Do lado direito, dez quadros de Rafael, Andrea del Sarto e outros. E na frente, mais dez Ticianos, além de Veroneses, Tintorettos e vários outros quadros do próprio Da Vinci.
Mas não adianta, ninguém os olha.
Estou fascinado com este ritual. E escandalizado com o que a informação dirigida faz com a gente. Agora, por exemplo, acabou de acorrer aos pés de Mona Lisa um grupo de japoneses: caladinhos, comportadinhos, agrupadinhos diante do quadro. A guia fala-fala-fala e eles tiram-tiram-tiram fotos (...). E lá se foram os japoneses. A guia os arrastou para fora da sala e não os deixou ver nenhum outro quadro. (...)
Chegou um bando de garotos ingleses-escoceses-irlandeses, vermelhinhos, agitadinhos, de uniforme. Também foram postos diante da Mona
Lisa como diante do retrato ancestral importante. Só diante dela. (...)
Chegou um grupo de africanos. E repete-se o ritual. E ali na parede os vários Fafaéis, outros Da Vincis, do lado esquerdo os dezesseis renascentistas de primeira linha, do lado direito os dez quadros de Rafael, Andrea del Sarto e outros, e na frente mais dez Ticianos, além dos Veoneses, Tintorettos etc., que ningué, vê.
O ser humano é fascinante. E banal. Vêm para ver. Não vêem nem o que vêem, nem o que deviam ver. Entende-se. Aquele cordão de isolamento em torno da Mona Lisa aumenta a sua sacralidade. E tem um vigia especial. E um alarme especial contra roubo. Quem por ali passou defronte dela acionando sua câmera, pode voltar para a Oceania, Osaka e Alasca com a noção de dever cumprido. Quando disserem que viram a Mona Lisa, serão mais respeitados pelo vizinhos.
Mal entra outro grupo de turistas para repetir o ritual, percebo que a Mona Lisa me olha por sobre o ombro de um deles e sorri realmente. Agora sei de que ri a Mona Lisa.
Fig.1: L.H.O.O.Q. (1965) de Marcel Duchamp. Nanquim sobre cartão postal (Mona Lisa com Bigode). Museum of Modern Art (MOMA), Nova Iorque-EUA.