O Pai da História

sábado, 16 de maio de 2009

Agonia e Êxtase

Baseado no livro de mesmo nome escrito por Irving Stone em 1961, este filme narra o trabalho de Michelangelo na pintura do teto da Capela Sistina, entre 1508 e 1512, por encomenda do papa Júlio II. É nessa capela que ainda hoje os cardeais se reúnem para escolher um novo papa.

Objetivo da Atividade: Analisar Filmes

Assistam às cenas do filme indicadas a seguir e respondam no caderno:

1. (22min 38s – 28min 28s) Quais as principais diferenças entre o palácio renascentista desta cena (uma representação da casa da família Medici) e os castelos da Idade Média?
2. (1h 5min 17s – 1h 8min 50s) Qual o tema da discussão entre o personagem Michelangelo e os outros personagens?
3. Por que essa discussão pode ser considerada tipicamente renascentista?
4. (1h 30min 46s – 1h 32min 27s) Qual é a descrição que o personagem Rafael faz dos artistas renascentistas?
5. (1h 44min – 1h 45min 20s) Descreva a discussão entre o personagem Michelangelo e o personagem Júlio II.
6. Qual dos dois defende um ponto de vista renascentista? Que palavras do diálogo nos permitem concluir isso?

Releitura

1. O que significa a palavra renascimento para Giorgio Vasari? O que essa palavras significa para nós hoje?
2. Como era a relação entre os mecenas e os artistas do Renascimento?
3. O que foi o renascimento científico?
4. Releiam suas respostas às questões da abertura e também suas respostas às questões da atividade “O Sorriso da Mona Lisa”. Como vocês responderiam agora às questões da abertura?
5. Releiam “O renascimento científico”. De acordo com esse texto, Copérnico e Vesalius retomaram idéias da Antiguidade ou as questionaram? Considerndo sua resposta, faz sentido dizer que eles eram renascentistas?
6. O título da seção “Informações” é “É possível nascer duas vezes?”. Como vocês responderiam agora à pergunta desse título?

Relações: O sorriso de Mona Lisa

A obra mais famosa de Leonardo da Vinci é Mona Lisa, também chamada La Gioconda, que se encontra hoje no Museu do Louvre, em Paris. Alguns dizem que a pintura é um retrato da esposa de Francesco del Giocondo, um homem rico de Florença. A Mona Lisa ficou famosa por seu misterioso sorriso. No texto que vocês vão ler, o escritor Affonso Romano de Sant’Anna comenta esse assunto.

Objetivo da Atividade: Analisar Textos Literários

1. De acordo com o autor, por que os visitantes da Sala Da Vinci ignoram outros quadros e só se interessam pela Mona Lisa?
2. O que o autor quis dizer com: “O ser humano é fascinante. E banal. Vêm para ver. Não vêem nem o que vêem, nem o que deviam ver.”?
3. Segundo o autor, de que ri a Mona Lisa?

De que ri a Mona Lisa

Estou na Sala Da Vinci, no Louvre. (...) Do lado esquerdo da Mona Lisa, dezesseis quadros de renascentistas de primeiro time. Do lado direito, dez quadros de Rafael, Andrea del Sarto e outros. E na frente, mais dez Ticianos, além de Veroneses, Tintorettos e vários outros quadros do próprio Da Vinci.
Mas não adianta, ninguém os olha.
Estou fascinado com este ritual. E escandalizado com o que a informação dirigida faz com a gente. Agora, por exemplo, acabou de acorrer aos pés de Mona Lisa um grupo de japoneses: caladinhos, comportadinhos, agrupadinhos diante do quadro. A guia fala-fala-fala e eles tiram-tiram-tiram fotos (...). E lá se foram os japoneses. A guia os arrastou para fora da sala e não os deixou ver nenhum outro quadro. (...)
Chegou um bando de garotos ingleses-escoceses-irlandeses, vermelhinhos, agitadinhos, de uniforme. Também foram postos diante da Mona
Lisa como diante do retrato ancestral importante. Só diante dela. (...)
Chegou um grupo de africanos. E repete-se o ritual. E ali na parede os vários Fafaéis, outros Da Vincis, do lado esquerdo os dezesseis renascentistas de primeira linha, do lado direito os dez quadros de Rafael, Andrea del Sarto e outros, e na frente mais dez Ticianos, além dos Veoneses, Tintorettos etc., que ningué, vê.
O ser humano é fascinante. E banal. Vêm para ver. Não vêem nem o que vêem, nem o que deviam ver. Entende-se. Aquele cordão de isolamento em torno da Mona Lisa aumenta a sua sacralidade. E tem um vigia especial. E um alarme especial contra roubo. Quem por ali passou defronte dela acionando sua câmera, pode voltar para a Oceania, Osaka e Alasca com a noção de dever cumprido. Quando disserem que viram a Mona Lisa, serão mais respeitados pelo vizinhos.
Mal entra outro grupo de turistas para repetir o ritual, percebo que a Mona Lisa me olha por sobre o ombro de um deles e sorri realmente. Agora sei de que ri a Mona Lisa.

Fig.1: L.H.O.O.Q. (1965) de Marcel Duchamp. Nanquim sobre cartão postal (Mona Lisa com Bigode). Museum of Modern Art (MOMA), Nova Iorque-EUA.

Representações: Um novo olhar

Durante o Renascimento, a arte européia passou por várias transformações. Os artistas introduziram uma série de nmovidades na pintura, como a perspectiva, o jogo de luz e sombra, as variações de tonalidade.

Objetivo da Atividade: Analisar Imagens

Observem as imagens a seguir e respondam no caderno:

1. Na imagem da esquerda, como o pintor representou Deus e Adão? Existe diferença entre essa representação e a forma como você imaginam esses personagens? Qual?
2. Releiam o texto “É possível nascer duas vezes?” As diferenças entre a imagem à esquerda e a forma como vocês imaginam Deus e Adão têm relação com o humanismo? Expliquem.
3. Releiam o texto “Mudança de foco”. Essas imagens têm características renascentistas? Quais?

Fig.1: O Juízo Final (1509-12) de Michelangelo, Afresco, Capela Sistina, Roma-Itália.
Fig.2: O casamento de Giovanni Arnolfini e Giovanna Cenami (1434) de Jan Van Eyck, Óleo Sobre Madeira. National Gallery, Londres-Inglaterra.
Fig.3: Detalhe da obra de Jan Van Eyck.

O Renascimento Científico

No estudo e no conhecimento da natureza também surgiram novas reorisas, como o heliocentrismo. Proposta por Nicolau Copérnico, essa teoria afirmava que o Sol ocupa o centro do Universo e a Terra gira ao seu redor.
Isso era um absurdo para a maioria das pessoas de então, pois, olhando para o céu tem-se a impressão de que o Sol é que se move ao redor da Terra. O heliocentrismo também era chocante para essa época porque contrariava a teoria de que a terra era o centro do Universo, proposta pelo filósofo Claudio Ptolomeu no século II e aceita desde a Antiguidade.
Em 1543, no mesmo ano em que Copérnico publicou suas idéias, Andeas Vesalius publicou Sobre a Estrutura do Corpo Humano. Com base no que observou dissecando cadáveres, Vesalius defendeu que o centro das emoções não era o coração (como pensava o filósofo Aristóteles no século IV a.C.), mas o cérebro e os nervos.

No centro, o Sol

As idéias de Copérnico foram combatidas pela Igreja católica por vários séculos. No ´seculo XVI, Giordano Bruno foi condenado à morte na fogueira por defender idéias semelhantes. No início do século XVII, as teorias de Copérnico foram testadas por Galileu Galilei. Observando o movimento dos planetas, Galileu confirmou algumas das teorias de Copérnico e publicou livros relatando suas edscobertas.
Galileu também foi perseguido por membros da Igreja que sentiam sua autoridade ameaçada por novas teorias. Ele negou publicamente suas idéias para não morrer na fogueira. Em 1979, mais de três séculos depois da perseguição a Galileu, o papa João Paulo II ordenou um reexame do processo contra Galileu e, em 1992, reconheceu o erro do Vaticano na época.

Fig.1: De humani corporis fabrica (p.372) (1543) de Andreas Vesalius.

O Ensino na Época

Em uma de suas obras, publicada em 1532, Fronçois Rabelais conta a história do gigante Pantagruel, enviado a Paris por seu pai Gargântua para estudar.
Naquela época, só estudava quem podia pagar um preceptor, que ensinava na casa do aluno. O ensino era feito em latim, a língua utilizada pela Igreja católica. Estudar significava, portanto, aprender a ler e escrever em latim.
Quando um preceptor considerava que seu aluno estava pronto para enfrentar estudos mais avançados, encaminhava-o a uma universidade. Na Idade Média, os estudos universitários eram divididos em duas partes, chamadas de trivium e quadrivium. O trivium era formado por três disciplinas: a gramática do latim, a lógica e a retórica. O quadrivium consistia no estudo da aritmética, da geometria, da música e da astronomia. Juntas, esssas duas partes dos estudos universitários compunham o que era chamado de “artes liberais”.
Os conselhos de Gargântua a seu filho Pantagruel são um bom exemplo da visão de mundo renascentista. Eles nos permitem compreender que mudanças ocorreram nesse momento na cultura européia, ou seja, o que os europeus acreditavam que estava renascendo.

Objetivo da Atividade: Analisar textos de época Leiam o texto a seguir e respondam no caderno:

1. Que conteúdos típicos do ensino medieval podem ser encontrados nos conselhos de Gargântua a Pantagruel?
2. Que outros conteúdos, que não faziam parte dos estudos medievais, podem ser encontrados no texto?
3. Considerando as respostas às questões anteriores, expliquem o que estava renascendo nesse momento.

Os espantosos feitos e proezas do famoso Pantagruel, 1532

Aconselho-te, meu filho, a que empregues a tua juventude em tirar bom proveito dos estudos e das virtudes. (...) quero que aprendas as línguas perfeitamente: primeiro a grega (...), em segundo lugar a latina, e depois a hebraica para as santas letras (...), e igualmente a caldaica e arábica (...); que não exista história que não tenhas presente na memória (...). Das artes liberais (...) dei-te algum gosto, quando ainda eras pequeno, na idade de cinco a seis anos; continua o resto (...). Do direito civil quero que saibas de cor os belos textos e que (...) compares com filosofia.
Quanto ao conhecimento das coisas da natureza, quero que a isso te entregues curiosamente, que não haja mar, rio nem fonte que tu não conheças os peixes; todas as aves do ar, todas as árvores e arbustos frutíferos das florestas, todas as ervas da terra, todos os metais escondidos no ventre dos abismos, as pedrarias de todo o Oriente (...), que nada disso te seja desconhecido.
Depois, cuidadosamente, revisita os livros dos médicos gregos, áreabes e latinos, sem despresar os talmudistas e cabalistas, e por frequentes anatomias (...) adquire perfeito conhecimento do (...) homem.

Fig.1: Gargântua (1873) de Gustave Doré. Impresso. Fine Arts Museums of San Francisco. São Francisco-EUA.

Literatura e Filosofia

As idéias renascentistas se manifestaram também em obras de literatura e filosofia.
Na Holanda, o filósofo Erasmo de Roterdã (1466-1536) publicou o Elogio da Loucura, uma crítica à Igreja, que daca explicações sobrenaturais para os problemas sociais e da natureza.
Na França publicaram obras importantes od filósofos François Rabelais e Michel de Montaigne (1533-1592), autos de Ensaios.
Na Inglaterra destacou-se o teatro de William Shakespeare (1564-1616), com peças como Romeu e Julieta, Macbeth, Hamlet e Othelo. Na Espanha, sobressaiu a leteratura de Miguel de Cervantes (1547-1616), que escreveu Dom Quixote de la Mancha, obra que satiriza a figura decadente de um cavaleiro medieval. Em Portugal, a obra clássica do Renascimento é o poema épico Os Luziadas, de Luís de Camões (1524-1580), que narra a viagem de Vasco da Gama às ìndias, em 1498.

Fig.1: Dom Quixote dela Mancha e Sancho Pança (1872) de Gustave Doré. Impresso.

A força renascentista nos Países Baixos


Fora da península Itálica, diversos artistas produziram obras que acompanharam as tendências renascentistas. Na região dos Países Baixos, atuais Holanda e parte da Bélgica, destacaram-se os talentos de Hieronymus Bosch (1450-1516) e Pieter Bruegel (1525-1569). Na região da atual Alemanha distinguiu-se Albrecht Dürer (1471-1528), um dos primeiros artistas a tirar partido da invenção da imprensa.
Hieronymus Bosch se tornou conhecido por pinturas em que combinava estranhas figuras de seres humanos, monstros e animais mutantes. Muitas de suas representações têm base em idéias religiosas, como, por exemplo, as torturas que os pecadores enfrentariam após a morte.
Pieter Bruegel retratou aspectos do cotidiano de pequenas aldeias da região dos Países Baixos. Ele usou um Estilo muito pessoal para pintar cenas da vida rural e paisagens. Essa foi uma tendência nova, pois na maior parte das pinturas da Idade Média e do Renascimento a paisagem aparece apenas como cenário para o tema principal.
Dürer trabalhou na juventude como ilustrador de livros. Era também pintor, mas se tornou mais conhecido por suas gravuras, das quais – graças à invenção da imprensa – foram feitas muitas cópias, vendidas por toda Europa.

Fig.1: Jogos Infantis (1560) de Pieter Bruegel, óleo sobre madeira. Kunsthistorisches Museum Wien, Viena-Áustria
Fig.2: O Jardim das Delicias: Aba direita: O inferno (1504) de Hieronymous Bosch, óleo sobre painel. Museo del Prado, Madri-Espanha

Mudança de Foco

Durante o Renascimento não desapareceu a preferência por temas religiosos, característica da arte medieval. As cenas religiosas e os personagens bíblicos deixaram de ser o único tema das obras de arte. Os artistas passaram a ser contratados para representar, em retratos e esculturas, pessoas de famílias ricas e poderosas.
Os artistas renascentistas queriam representar o mundo, na medida do possível, exatamente como as pessoas o viam. Para isso, passaram a aplicar conhecimentos de física e dominaram a perspectiva. Nessa técnica, os objetos mais próximos do espectador são representados em tamanho maior e os mais distantes, em tamanho menor, reproduzindo a impressão criada pela visão humana.

Fig.1: São Jerônimo em seus estudos (1514) de Albretch Dürer, Impresso (Fonte: Gravura em Metal).

Múltiplos Talentos

Durante a Idade Média, muitas obras de arte eram coletivas, feitas por artistas anônimos. Com o Renascimento, isso mudou. Os artistas passaram a assinar suas obras, financiados pelos mecenas: reis, nobres, ricos comerciantes, grandes banqueiros, um papa ou um bispo.
Em vez de comprar a obra pronta, como ocorre hoje em dia, o mecenas pagava o artista para trabalhar exclusivamente para ele por um certo período, pintando retratos de sua família, fazendo esculturas para decorar seu jardim ou desenvolvendo projetos arquitetônicos. Em geral, os artistas do Renascimento não se limitavam a uma especialidade. Eles dominavam conhecimentos de pintura, escultura, arquitetura, matemática, física e anatomia.
Quanto mais conhecimentos e habilidades dominasse, maior era o valor que o artista podia cobrar por seus serviços. Por sua versatilidade, Leonardo da Vinci e Michelangelo Buonarroti foram os artistas mais valorizados do Renascimento.
A obra mais conhecida de Leonardo da Vinci é Mona Lisa, que vocês viram na abertura deste capítulo. Além de pintor e escultor, Leonardo foi arquiteto e engenheiro, projetou canais, fortificações e armas, fez estudos de anatomia e de física e de física e desenhou projetos para máquinas voadoras, pára-quedas e um tanque de guerra.
Uma das obras mais famosas de Michelangelo é A criação do homem. Essa cena faz parte de um grande conjunto pintado no teto da Capela Sistina, em Roma. Na parede principal da mesma capela, Michelangelo pintou O juízo final. Ele também projetou a gigantesca cúpula de Basílica de São Pedro, em Roma. Michelangelo estudou a escultura da Antiguidade e logo se tornou um dos maiores escultores que o mundo já conheceu.
Por volta de 1500, o papa Júlio II convidou os principais artistas da época para trabalhar em Roma. Com isso, o papa pretendia afirmar o poder e a riqueza da Igreja. Um dos artistas convidados foi Rafael. Num dos aposentos do Vaticano, Rafael pintou um grande afresco intitulado Escola de Atenas.Fig.1: A Escola de Atenas (1510-11) de Raphael, Afresco, Vaticano, Stanza della Segnatura, Roma-Itália
Fig.2: Davi (1501-1504) de Michelangelo, Mármore (4,1m de altura), Accademia delle Belle Arti, Florença-Itália
Fig.3: O Juízo Final (1509-12) de Michelangelo, Afresco, Capela Sisti
na, Roma-Itália
Fig.4: A última Ceia (1498) de Leonardo da Vinci, Têmpera sobre gesso, Convento de Santa Maria delle Grazie (Refeitório), Milão-Itália

A origem do Renascimento


Essa mudança nas artes, ocorrida inicialmente na península Itálica, ficou conhecida como Renascimento. Ainda hoje, em cidades como Florença, Roma e Veneza, podem ser vistas grandes obras daquela época. Além de monumentos, esculturas e grandes igrejas e palácios, há museus com vastos acervos, como o Museu do Vaticano e a Galeria Uffizi, em Florença, na Itália.
O primeiro artista europeu a utilizar a palavra renascimento para classificar as obras de arte de sua época foi provavelmente Giogio Vasari. Em 1550, Vasari publicou o livro Vidas dos mais excelentes pintores, escultores e arquitetos. Nessa obra, ele afirma que as esculturas feitas antes do Renascimento “mais pareciam trabalhos realizados numa pedreira do que obras de um artista”.
Para Giorgio Vasari, o “renascimento das artes” teria começado no século XVI, quando houve uma ruptura com a arte medieval, especialmente a partir das pinturas de Giotto. Vasari acreditava que essa arte não era totalmente nova, mas o renascimento de uma arte que já existira durante a Antiguidade greco-romana.

É possível nascer duas vezes?




Durante o fim da Idade Média na Europa ocidental, a maioria da população viva e trabalhava nos feudos. Era uma vida muito isolada sem muita comunicação entre as pessoas. O comércio praticamente não existia, pois os feudos eram quase auto-suficientes. As cidades eram pequenas e afastadas umas das outras.
Quase ninguém sabia ler nem escrever. Quem dominava a leitura e a escrita eram os padres e os monges. Por isso, a vida das pessoas era muito influenciada pelas autoridades da Igreja católica. AS palavras de um padre ou de um bispo tinham muito valor, pois tudo girava em torno da religião: Deus era a explicação para tudo o que acontecia.
Mas, entre os séculos XII e XV, essa situação começou a mudar. O comércio se intensificou, os comerciantes levavam e traziam mercadorias e notícias de um lugar para outro. As cidades começaram a crescer. Muitas pessoas saíam dos feudos e se fixavam em pequenas vilas que surgiam perto dos castelos, das pontes ou nas encruzilhadas de estradas. Nessas vilas havia feiras onde se vendiam muitos tipos de produtos e se apresentavam músicos, atores e vendedores ambulantes.
As pessoas começaram a tomar decisões sem depender dos padres e dos monges. Começou a se difundir a idéia de que os seres humanos eram tão ou mais importantes do que Deus. Essa idéia recebeu o nome de humanismo.
Uma importante invenção contribuiu para a divulgação do humanismo. Em 1450, Johannes Gutemberg inventou o sistema de impressão com tipos móveis. Até então, os textos eram copiados à mão, um trabalho lento sujeito a muitos erros. Com a invenção da imprensa, os livros se tornaram acessíveis a um público muito maior e mais fiéis ao original.
As idéias do humanismo também influenciaram os artistas. Durante a Idade Média, quase todos os pintores e escultores trabalhavam para a Igreja. Suas obras representavam passagens da Bíblia, a vida de Jesus Cristo e dos santos. Com o humanismo, os artistas passaram a focar outros assuntos, como os temas relacionados aos gregos e romanos antigos, paisagens e retratos.
Fig.1: A primavera (1478) de Sandro Botticelli, Têmpera Sobre Madeira, Galleria degli Uffizi, Florença - Itália.
Fig. 2: O Massacre dos Inocentes (1305) de Giotto, Afresco, Scrovegni Chapel, Padua - Itália

O Renascimento

Mais ou menos quinhentos anos trás, na cidade de Florença, um pintor dava os últimos retoques no retrato de uma mulher. Essa cena, bastante comum na Europa do início do século XVI, não teve nada de mais no momento em que aconteceu.
Hoje sabemos que o nome do pintor era Leonardo da Vinci. O retrato, conhecido como Mona Lisa ou La Giocanda, tornou-se o símbolo de uma época que chamamos de Renascimento.
Mas por que esse quadro ficou tão famoso? O que ele tem de tão especial? E, afinal, o que foi o Renascimento? Para começar a estudar esse assunto, examinem as imagens, leiam a cronologia e respondam às questões desta abertura.

1. O que significa a palavra renascimento?
2. Qual a relação entre as imagens desta abertura?
3. Vocês já tinham ouvido falar de Leonardo da Vinci ou da Mona Lisa? O que sabem sobre o assunto?
4. Vocês conseguem imaginar por que os turistas valorizam tanto a Mona Lisa?

Fig. 1: Mona Lisa (1503-04) Leonardo da Vinci,Têmpera sobre tela (Museu do Louvre, França)
Fig. 2: Sala Da Vinci, Museu do Louvre, Paris, França